2002
As ilimitadas surpresas do cravo
Público - Cultura - Novembro 02 | Crítica de música por Cristina Fernandes
“O caráter cravístico e a sedução sonora da obra de Pinho Vargas, a inteligente escolha do programa e a entrega emocional de Ana Mafalda Castro (…) Seria fácil prever que o recital de Ana Mafalda Castro no Festival Internacional de Música de Mafra seria um momento especial e, de facto, assim sucedeu. Para além do já conhecido profissionalismo da cravista e de um programa raro e interessante, encadeado de forma inteligentíssima, a razão de peso era a estreia mundial da peça que António Pinho Vargas, seu marido, lhe dedicou. (…) Marcada por grandes constrastes e um forte impacte sensorial, trata-se de uma peça que solicita ao intérprete um enorme virtuosismo, ao qual Ana Castro soube corresponder com excelente domínio técnico e uma comovente entrega emocional. Refira-se, de passagem, que a cravista manteve um nível de energia ao longo de todo o concerto que nos prendeu da primeira à última nota. (…) Ana Castro surpreendeu-nos com a desenvoltura com que interpretou a soberba “Fantasia Cromática”, de Sweelinck, uma obra de grande fôlego devido ao seu intrincado contraponto e complexa arquitetura. ”